terça-feira, 21 de março de 2023

ARGENTINA E 3 FILMES

             

                   O cinema feito pelos nossos “hermanos” argentinos é considerado por muitos, como um dos melhores da América Latina. Na humilde opinião deste que vos escreve, fico mais do lado do Selton Mello, quando ele afirma que “o cinema argentino não é melhor que o brasileiro”. É fato que, os argentinos, por essa quase tendência em ser uma Europa dentro da América do Sul, tem em sua cultura cinematográfica muitas semelhanças com o cinema feito lá no Velho Mundo. O trabalho com diversos temas e, sobretudo, as boas experiências com o chamado “cinema de gênero” fizeram que a fama do cinema argentino se espalhasse de forma mais contundente, por exemplo, do que o nosso.

              Claro que, também fazemos cinema de gênero, claro que diversos temas, cada vez mais diferentes, são retratados por aqui pelos nossos cineastas brasileiros mas, ainda falta furar certas bolhas, atingir certos públicos e sobretudo, uma vontade maior por parte da indústria brasileira em querer também em sair desse lamaceiro que é por exemplo, a Globo Filmes. Se hoje, o público brasileiro, tido como “comum”, rasga elogios ao cinema argentino e tece comentários maldosos ao cinema feito no seu próprio país, isso se deve muito ao fato de que o verdadeiro cinema brasileiro ainda não consegue furar a bolha de festivais especializados e que são vistos por uma plateia de nicho, deixando a impressão pobre de que o nosso cinema é apenas as comédias produzidas pela outrora, maior rede de TV do Brasil. Mas enfim.... isso é papo pra outra conversa. Agora vou destacar aqui três exemplos do cinema feito por nossos vizinhos, que acreditam que estão vivendo numa Europa(rs). Brincadeiras à parte, o cinema argentino tem muito o que comemorar. 

              Como toda lista que faço, dois pontos são importantes de frisar. Primeiro: a lista é minha e não tem como agradar todos, se quiser faça a sua. Segundo: não costumo indicar obviedades então, fui procurar obras mais “lado b”, fugindo um pouco dos “blockbusters” mais reconhecíveis. Vamos lá....

 

1. O HOMEM AO LADO


                    Imagina a seguinte situação: você está em sua casa e decide fazer uma obra, no caso, construir uma janela. Ao fazer isso, descobre que a janela dá de cara com o seu vizinho, que mora ao lado, vizinho esse que você detesta pois representa o seu oposto em todos os aspectos. O que fazer? O que é certo e errado?. Óbvio, o filme de Gastón Duprat e Mariano Cohn vai muito além dessa premissa “simples”, que poderia ser fácil um tema para uma comédia, uma premissa que poderia acontecer com qualquer um. Essa “história de vizinhos” acaba tendo desdobramentos bastante sérios.... Costumes, hipocrisia, família e arquitetura(!) mesclados em um filmaço. 

2. O ÚLTIMO ELVIS


 

            Essa pérola desconhecida do Armando Bó merece ser descoberta. Na trama, temos Carlos Gutierrez (Jonh Mclnerny no trabalho da sua vida), ele não é apenas mais um cover do Rei do Rock, ele simplesmente acredita ser o tal, tanto que nega com unhas e dentes ser chamado de Carlos, ele é Elvis, vinte quatro horas por dia e ponto. A medida que a sua idade vai se aproximado da idade de morte de Elvis, ele sente cada vez mais um vazio. Para completar, problemas do passado vem à tona, personificados principalmente por sua filha Lisa Marie (a inspiração é óbvia!) o que coloca nosso Carlos/Elvis num dilema que pode representar o ápice ou a tragédia na sua vida. É drama daqueles de chorar.

 

3. NOVE RAINHAS


               Estava reticente em colocar essa indicação aqui pois, ao meu ver, quebrava com a minha segunda regra de elaboração de listas mas, este vale a pena. Nove Rainhas tem uma das tramas mais bem acertadas do cinema argentino, digo, do cinema em modo geral. Aqui, acompanhamos uma Argentina cheia de pessoas dotadas com a mais sútil arte de elaborar trapaças, tudo para conseguir alguns trocados e irem sobrevivendo, um dia de cada vez. Ninguém escapa, seja um pequeno proprietário de uma lojinha de conveniências ou uma velhinha inocente, todos são alvos em potencial de gente que vê na arte da trapaça uma filosofia de vida. Um destes ladrões, Juan(Gaston Pauls) tem uma chance única de mudar de vida quando outro trapaceiro Marcos (Ricardo Darín) lhe conta que na cidade está um milionário com hobby em selos. A ideia é simples: oferecer ao colecionador os selos das Nove Rainhas (daí o título do filme), avaliado em meio milhão de dólares. Acontece que eles irão apresentar uma réplica dos selos, ficando assim com os originais e o dinheiro da transação. Mas logo nem tudo sai como combinado e uma verdadeira comédia de erros, com direito a inúmeras reviravoltas vão colocar esse golpe num dos mais ousados que o cinema já mostrou. Aqui temos o filme que levou Darín ao estrelato, mostrando lá  no ano 2000 que a Argentina já não andava bem das pernas, com uma crise social e econômica que estava prestes a explodir. Se ainda não viu ainda, pare o que está fazendo e corrija este erro.  

CINEMA PERNAMBUCANO E 3 FILMES

              Hoje falaremos um pouco sobre o cinema pernambucano. A partir dos anos 2000, o cinema de Pernambuco se consolidou como um dos ...