A poesia se sobressai e aparece
em muitas formas, devo admitir. No cinema, a poesia se demonstra muitas vezes
na beleza e até no terror de muitas cenas emblemáticas, que poderia passar este
texto inteiro apenas falando sobre elas. Entretanto, hoje, vou me ater a um
curta que para mim é de uma beleza e singularidades sem iguais, vou falar sobre
La Jetté, ou na tradução para o nosso português, O Píer.
O francês Chris Marker foi
extremamente visionário na totalidade de seus trabalhos, chamados por muitos
como filmes-ensaio. De estética vanguardista, Marker estava disposto na década
de 60 a mexer com paradigmas impostos pela indústria cinematográfica e,
decidido a ser um contraponto a uma visão, digamos, mais simplista na forma de
contar suas histórias.
No curta, ficamos sabendo que num futuro próximo houve uma terceira guerra mundial, a população que conseguiu sobreviver a esse holocausto, agora vive como ratos, em subsolos escuros e de aspecto deplorável. Para conseguir meios para sair dessa situação trágica, os cientistas descobriram uma forma de viagem do tempo. Depois de inúmeros testes fracassados, eles descobrem que para a viagem dar certo é necessário que primeiro, a cobaia tenha em sua memória algo muito forte do seu passado, algo que consiga criar um elo de ligação capaz de fazer sua mente “transitar” entre o tempo. Por sorte, eles conseguem encontrar essa pessoa, um prisioneiro que durante toda sua vida tem nítida uma imagem em sua cabeça que sempre lhe deixou intrigado.
Agora, um aviso de SPOILERS, leia agora por sua conta e risco. Se não, vá ao Youtube e veja essa pérola de apenas 28 minutos agora mesmo.
Pois bem, a imagem que sempre lhe perseguiu era nada mais nada menos do que a sua própria morte. Quando criança, antes da guerra iniciar, ele avistou um homem correndo em direção a uma mulher, esse homem é baleado e acaba morrendo. A figura da mulher aos prantos ficou marcada na sua memória. O que ele não sabia e acabou descobrindo no processo de viagem no tempo era que a mulher que ele se lembrava era a grande paixão que ele teve e que o homem a ser morto era ele próprio, já adulto.
A relação entre o tempo e as
fotos não podia ser mais do que genial. A rigidez das fotos nós dá a ideia de
que é impossível escapar da rigidez do próprio tempo, como se o que tivesse que
acontecer vai acontecer de qualquer forma e não há absolutamente nada que
possamos fazer para impedir isso. Tudo isso pra trazer uma história de ficção
científica, mostrada de forma nada tradicional.
OBS.: Esta história inspirou, anos depois o diretor Terry Gilliam a fazer o seu Os 12 Macacos, filmaço com Bruce Willis e Brad Pitt. Logo, aconselho de uma tacada só a ver um dos melhores curtas da história do cinema(não sou apenas eu a afirmar isso) e também uma das grandes obras dos anos 90.



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