O
cinema feito pelos nossos “hermanos” argentinos é considerado por muitos, como
um dos melhores da América Latina. Na humilde opinião deste que vos escreve,
fico mais do lado do Selton Mello, quando ele afirma que “o cinema argentino
não é melhor que o brasileiro”. É fato que, os argentinos, por essa quase
tendência em ser uma Europa dentro da América do Sul, tem em sua cultura
cinematográfica muitas semelhanças com o cinema feito lá no Velho Mundo. O
trabalho com diversos temas e, sobretudo, as boas experiências com o chamado
“cinema de gênero” fizeram que a fama do cinema argentino se espalhasse de
forma mais contundente, por exemplo, do que o nosso.
Claro que, também fazemos cinema
de gênero, claro que diversos temas, cada vez mais diferentes, são retratados
por aqui pelos nossos cineastas brasileiros mas, ainda falta furar certas
bolhas, atingir certos públicos e sobretudo, uma vontade maior por parte da
indústria brasileira em querer também em sair desse lamaceiro que é por
exemplo, a Globo Filmes. Se hoje, o público brasileiro, tido como “comum”,
rasga elogios ao cinema argentino e tece comentários maldosos ao cinema feito
no seu próprio país, isso se deve muito ao fato de que o verdadeiro cinema
brasileiro ainda não consegue furar a bolha de festivais especializados e que são
vistos por uma plateia de nicho, deixando a impressão pobre de que o nosso
cinema é apenas as comédias produzidas pela outrora, maior rede de TV do
Brasil. Mas enfim.... isso é papo pra outra conversa. Agora vou destacar aqui
três exemplos do cinema feito por nossos vizinhos, que acreditam que estão
vivendo numa Europa(rs). Brincadeiras à parte, o cinema argentino tem muito o
que comemorar.
Como toda lista que faço, dois
pontos são importantes de frisar. Primeiro: a lista é minha e não tem como
agradar todos, se quiser faça a sua. Segundo: não costumo indicar obviedades
então, fui procurar obras mais “lado b”, fugindo um pouco dos “blockbusters”
mais reconhecíveis. Vamos lá....
1. O HOMEM AO LADO
Imagina
a seguinte situação: você está em sua casa e decide fazer uma obra, no caso,
construir uma janela. Ao fazer isso, descobre que a janela dá de cara com o seu
vizinho, que mora ao lado, vizinho esse que você detesta pois representa o seu
oposto em todos os aspectos. O que fazer? O que é certo e errado?. Óbvio, o
filme de Gastón Duprat e Mariano Cohn vai muito além dessa premissa “simples”,
que poderia ser fácil um tema para uma comédia, uma premissa que poderia
acontecer com qualquer um. Essa “história de vizinhos” acaba tendo
desdobramentos bastante sérios.... Costumes, hipocrisia, família e
arquitetura(!) mesclados em um filmaço.
2. O ÚLTIMO ELVIS
Essa pérola
desconhecida do Armando Bó merece ser descoberta. Na trama, temos Carlos
Gutierrez (Jonh Mclnerny no trabalho da sua vida), ele não é apenas mais um
cover do Rei do Rock, ele simplesmente acredita ser o tal, tanto que nega com
unhas e dentes ser chamado de Carlos, ele é Elvis, vinte quatro horas por dia e
ponto. A medida que a sua idade vai se aproximado da idade de morte de Elvis, ele
sente cada vez mais um vazio. Para completar, problemas do passado vem à tona,
personificados principalmente por sua filha Lisa Marie (a inspiração é óbvia!)
o que coloca nosso Carlos/Elvis num dilema que pode representar o ápice ou a
tragédia na sua vida. É drama daqueles de chorar.
3. NOVE RAINHAS



Vou assistir a todos. Gosto muito do cinema argentino. Talvez o Selton Mello e você tenham ranço dos dois Oscar que eles têm e nós não rs. Um dos melhores cinemas da América Latina, junto com o Brasil, no entanto.
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