Benoit Blanc (Daniel Craig) aporta na Netflix com uma nova investigação cheia de bom humor, bizarrices e acidez social, que foram tão bem dosadas na sua primeira aventura, o também divertido Entre Facas e Segredos. O novo filme, Glass Onion¸ que tem um subtítulo horrível que nem ouso colocar nestas linhas (o subtítulo serve mais para pegar os desavisados que se trata de uma sequência) mostra, mais uma vez, que o cinema de Rian Jonhson não é de brincadeira.
Este
é o sexto filme do diretor e é interessante ver a sua escalada em relação aos
temas que aborda em cada um dos seus filmes e a marca que cada vez é mais
evidente: o cinismo.
Em Looper, tínhamos uma história de viagem no tempo ao mesmo tempo
interessante e intricada, já em Star Wars
– Os Últimos Jedi, Rian levou ao máximo o seu cinismo criando uma história
que causava uma disrupção tão grande em vários “dogmas” da franquia Skywalker
que acabou assustando e causando a ira de muitos fãs ardorosos da saga
espacial, o que levou uma mudança de planas drástica da Dysney, culminando no
deplorável Star Wars A Ascensão
Skywalker, um filme que no futuro certamente será estudo na aula ”Não faça
um filme querendo agradar todo mundo”.
Disrupção, veja que essa palavra
permeia toda a estrutura de Glass Onion
e é cada vez mais perceptível como as intenções de Jonhson em querer criar algo
ao mesmo tempo, permeado de clichês notórios, para logo em seguida quebrar com
todas as previsões, só aumentam a cada filme seu e isso é simplesmente,
maravilhoso.
Na trama, que é toda feita tendo
a pandemia como pano de fundo, temos um grupo de “amigos” (bota aspas nisso)
sendo convidado por um deles para um fim de semana numa ilha remota, o motivo é
bem simples: eles tem que desvendar quem o assassinou. Vamos sendo apresentados
a cada um do grupo, há a celebridade em declínio(Kate Hudson) que passa por
problemas sérios toda vez que abre a
boca, o cientista (Leslie Odom Jr), uma política (Kathryn Hahn), um atuante nas
mídias sociais que leva seu discurso pró armamento (Dave Bautista) e uma antiga
parceira(Janelle Monáe) que tem assuntos sérios a resolver. Todos foram
convidados pelo excêntrico Miles Bron (vivido por um Edward Norton satisfeito
com o papel), que veste a máscara de gênio incompreendido mas que, na verdade,
tem muito a esconder.
Por se tratar de uma sequência,
este novo filme, diferente do primeiro, tem ainda uma bela vantagem que é o
personagem de Craig (o nosso detetive de intelecto diferenciado e bastante
perspicaz aos detalhes), já ser devidamente conhecido do público, muito embora,
tanto no primeiro como neste filme, aos poucos vamos conhecendo mais detalhes
íntimos do personagem, o que mostra mais uma sacada esperta do diretor, nos
deixando ainda mais curiosos por mais detalhes da vida do personagem.
Daniel Craig, definitivamente,
tem o personagem da vida aqui, até numa situação melhor do que na época(não
muito distante) em que carregava o posto de 007. Melhor porque, diferente do
agente britânico, o personagem de Blanc não requer ao astro, peripécias
acrobáticas ou momentos de ação enervantes. É um tipo de personagem que pode
ser seu até os 60 anos(rs) ou mais. E se as próximas aventuras(que com certeza
haverá) desse detetive forem realizadas com todo esse afinco, pode ter certeza,
que estarei esperando com a expectativa nas alturas.


Nenhum comentário:
Postar um comentário