quinta-feira, 8 de junho de 2023

DONALD GLOVER E ATLANTA

 


            Série é um troço que realmente necessita de comprometimento, pelo menos para mim. Eu não consigo ver 3 séries ao mesmo tempo, se inicio uma, tenho que acompanhar só ela por inteira. E esse “trabalho” fica mais difícil porque eu não sou fã de maratonas, visto que, a meu ver, isso tira totalmente a imersão da história toda, deixando tudo sem propósito, virando mais um “fast food”.

            Tirando toda essa minha birra, é complicado acompanhar séries. Afinal de contas, a nossa geração começou nesse negócio há bem pouco tempo atrás. Vai me dizer que você acompanhava Chaves e Chapolin temporada por temporada? Você nem sabia o significado desse termo, rs.

             São poucas as séries que me prendem, por isso a preferência por filmes, já que o nível de “comprometimento” é bem menor. Mas, de vez em quando, surge algo no horizonte, algo que chama a atenção e no texto de hoje, falarei um pouco sobre uma série que, definitivamente, muito mais gente deveria falar sobre, estou falando de Atlanta.


            A série, cria da mente de Donald Glover (um dos grandes nomes dessa geração que conta com Joordan Peele e Edgar Wright, só pra começar), narra a trajetória de vida de Earn(interpretado pelo próprio Glover), um sujeito sem nenhuma perspectiva, sem dinheiro, vivendo uma relação esquisita com sua ex e ainda tendo que lidar com as responsabilidades de criar sua filha. Decidido a mudar de vida, Earn se torna agente do seu primo, Alfred (Bryan Tyree Henry), rapper que está criando uma fama meteórica com a alcunha de Paper Boy.

             A série, que no momento que escrevo estas linhas está na sua terceira temporada, apresenta episódios relativamente curtos (entre 25 a 30 minutos), o que facilita o engajamento, embora eu aconselhe a não maratonar, assista 2 ou 3 episódios seguidos no mínimo e, se deixe pensar um pouco sobre as coisas que vê. O enredo mescla de forma muito satisfatória o drama e a comédia. A lista a seguir trás os melhores episódios de cada temporada, obviamente,  sob o meu ponto de vista. Mais uma vez, aconselho assistir tudo. Bora lá.

 

TEMPORADA 1, EPISÓDIO 7


             
Intitulado B.A.N.(nem conto o significado da sigla), o sétimo episódio da primeira temporada é um deleite. Com um humor ácido e uma dose de surrealismo, o episódio faz uma crítica sobre gênero, feminismo e intolerância. Há muito tempo não tinha rido tanto e, ao mesmo tempo, tinha ficado tão nervoso.

TEMPORADA 2, EPISÓDIO 6

            Teddy Perkins é a cereja do bolo de uma segunda temporada maravilhosa. Se quem acompanhava a série pensava que a mente inquieta de Glover já tinha dado o que podia, pensou muito errado! Suspense, terror, com claras inspirações em clássicos como O Iluminado, evidenciam que Atlanta definitivamente existe para quebrar qualquer tipo de barreira. Bizarrice de muito bom gosto.

 

TEMPORADA 3, EPISÓDIO 4

           A terceira e última temporada (até o momento), talvez represente uma proposta mais radical de ir contra a linearidade dos episódios, o que pode acarretar para alguns uma certa confusão e até mesmo um distanciamento da série. Mas, não se deixe enganar, os comentários sociais urgentes e o uso inteligente de vários gêneros como drama, horror, suspense e comédia ainda continuam. Nesse episódio em questão, intitulado The Big Payback (ou A Grande Vingança), não pretendo dar muito spoiler então, contarei a trama apenas com um questionamento: E se pessoas brancas, que foram descendentes de proprietários de escravos fossem condenados a restituir as pessoas que sua família escravizou no passado? 




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