É triste constatar que a galera hoje em dia curte muito pouco ou praticamente abomina a ideia de assistir a filmes “antigos”. Coloco em aspas pois, pra esse pessoal, a ideia de antigo é qualquer coisa lançada em 2018! Esse “problema” só não é pior que o outro, que esse sinceramente, eu não suporto toda vez que ouço, o problema da preguiça que vem acompanhado daquela frase: “Tem na Netflix? Se não tiver, não vejo”.
Esse tipo de conversa por si só já daria muito pano pra manga para uma discussão mais acalorada, mas, vou me conter um pouco mais porque a conversa é pra falar de outra coisa, que tá atrelada a essa ideia de “filme antigo”: vamos falar sobre Cão Branco. Nesse longa, lançado no longínquo
ano de 1982, Fuller se propõe a discutir como se nasce o discurso de ódio e
como a estupidez de tal discurso pode chegar a consequências aterradoras. O
filme inicia quando uma jovem, de nome Julie(Kristy McNichols) atropela um
pastor alemão e sem saber quem é o dono, ela o leva para casa para tratar seus
ferimentos. Os dias vão passando e mesmo colocando panfletos (galera do zap, estamos
em 1982 tá?) o dono nunca aparece, então ela decide ficar com o bichinho, um
enorme cão branco (que dá título do longa).
É uma pena que na época em que foi lançado, o filme sofreu severos boicotes, inclusive do próprio estúdio, que acuado, por diversas organizações sociais que viram com horror uma história de um cão assassino que mata gente preta, tratou por fazer um esquema de lançamento pífio, praticamente escondendo o filme do público. Lançado hoje, certamente entraria no hall da cultura do cancelamento, devido a sua temática totalmente ácida e repulsiva. Para Samuel Fuller, esse tipo de coisa, seria um belo de um elogio.



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