sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

CINEMA E O MÉTODO CIENTÍFICO

 

               O cinema tem o poder transformador, escrevo isso pois sei que foi graças à essa arte que descobri muitas das coisas que fizeram ser quem sou hoje, valores que carrego comigo e que um dia, tentarei repassar à minha filha. Lembra daquela frase: “ Somos resultados dos livros que lemos, das viagens que fazemos e das pessoas que conhecemos”? Pois é, acrescentaria ai que também somos feitos dos filmes que assistimos e das músicas que ouvimos. Sobre o cinema falarei um pouco aqui, a música, entretanto, deixo para a próxima.

               Com o passar dos anos, pude perceber que o cinema se apresentava mais do que um mero entretenimento, havia algo a mais e, ao tentar captar todas as referências, o encantamento só se ampliava.

                O que nos leva ao motivo do título deste texto (deveras ousado, diga-se de passagem). O fato é que, como professor e ainda iniciante pesquisador, tive a curiosidade em ver como o cinema trabalha certos aspectos da metodologia científica. E isso não era um mero questionamento que me ocorreu em uma bela manhã mas sim, estava meio que desesperado em como atrair a atenção e a curiosidade dos meus alunos nas minhas aulas. Obviamente, quanto mais me aventurava nessa busca, via cada vez mais a raridade nas opções que abordavam esse tema. Também é algo totalmente compreensível, a ciência trabalha com extremo rigor, uma análise cuidadosa dos fatos e um trabalho incessante à procura de respostas para um infinidade de problemas. 

                E tudo isso, convenhamos, não costuma figurar nos roteiros cinematográficos, pelo menos não de forma direta(isso é uma outra conversa também). Então, me ative a procurar certos filmes que fugissem da obviedade. Será que consegui tal proeza? Bom, essa é uma resposta que deixo para o leitor.

                Para o bem ou para o mal, vivemos em um tempo imediatista, onde muitas das nossas escolhas estão presas a um algoritmo que, muitas vezes não consegue satisfazer a todos os nossos anseios e aí recaímos nessa eterna procura, a procura por algo reconfortante e na maioria das vezes, não nos damos conta de que caímos em um ouroboro.

                A lista aqui é puramente pessoal. Pode parecer lógico mas, é sempre bom enfatizar, não é verdade? Então, se pra você falta algum titulo, sugiro que faça a sua própria e quem sabe, me chame para uma sessão, porque cinema é algo, como toda arte, feito para compartilhar.

PRIMER (2004)



               O filme de 2004, escrito, produzido e dirigido por Shane Carruth (esse cara tá sumido!) é um trabalho que poderíamos chamar por aqui de “filme de guerrilha”. É uma obra densa, sem floreios, sem nenhum tipo de maniqueísmo e sem sombra de dúvidas, nada fácil de acompanhar. Entretanto, sempre procurei me desafiar e não me arrependi ao encontrar aqui um filme que fala sobre viagem no tempo de uma forma totalmente realista. Aqui não tem Delorean e muito menos um interesse amoroso pelo qual vale acompanhar, nada disso. O filme acompanha um grupo de cientistas que está prestes a fazer uma descoberta que poderá mudar os rumos da história. O porque está na lista? Todos os aspectos do método e rigor científico estão aqui, temos o problema (que inicialmente não tem nada a ver com viagem no tempo), o levantamento de hipóteses e uma falha nos testes que muda tudo.

ÁGORA (ALEXANDRIA, 2009)


            Me encontrava reticente em recomendar uma cinebiografia (parecia um caminho mais fácil) mas, a verdade é que a história da filósofa e matemática Hipatia, que vive na Alexandria do ano de 391 d.C., dirigida pelo espanhol Alejandro Amenábar (diretor que vale a pena procurar por aí) se utiliza do aspecto épico para trabalhar temas que, infelizmente, ainda hoje são recorrentes. O porque está na lista? É um filme que aborda a linha que separa a ciência da religião e, não apenas isso mas, como a política entre nesse meio e é capaz de trazer consequências catastróficas. É um trabalho belíssimo. 


O CÉU DE OUTUBRO (1999)


            Nos anos 50, um jovem se empolga com a notícia do lançamento do foguete soviético que fez com que o Sputinik fosse à órbita. Mesmo diante das dificuldades e da total falto de apoio, ele decide, junto com outros amigos, que também é capaz de lançar um pequeno foguete. O porque está na lista? Com uma narrativa simples, coesa, o trabalho do Joe Jonhston (diretor que segue essa linha em muitos dos seus trabalhos) vai elencando dificuldades típicas que todo grupo de cientistas enfrenta, tais como a falta de recursos, o preconceito que muitos estudantes interioranos sofrem por não encontrarem oportunidades em universidades, já que muitas delas se encontram distantes nos grandes centros e não há nenhum tipo de apoio para que possam ingressar nelas. Os problemas que todo início de um trabalho desse porte envolve, os inúmeros erros, as frustações e a superação, no final, em ter o seu trabalho enfim, sendo reconhecido. E pra completar, é uma história real. 

Um comentário:

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