Em 1985, chegava aos cinemas uma
obra pequena em termos de orçamento e publicidade mas, com uma visão bastante
transgressora e inovadora. Era uma época em que os filmes de capa e espada
estavam em alta, filmes como A Lenda,
de Rydley Scott, Willow (que agora
recebeu uma continuação através de uma série do Dysney Plus), Ladywake – Feitiço de Áquila, Guerreiros do
Fogo, entre tantos outros. O fato é que nenhum deles foi numa direção tão
cínica e pessimista como o trabalho do holandês Paul Verhoeven.
A trajetória cinematográfica de
Verhoeven é bastante singular. Formado em Matemática (assim como esse que vos
escreve), o então jovem se encantou com o cinema e iniciou sua carreira fazendo
pequenos curtas e dirigindo alguns episódios de séries feitas para TV
holandesa. Foi nesse período que conheceu Rutger Hauer, o ator que se tornaria
uma espécie de alter ego do diretor, formando uma parceria de grande destaque e
relevância, não só para o cinema holandês mas, para toda a história do cinema.
Com moral na indústria, Hauer logo tratou de chamar Verhoeven para juntos trabalharem em um novo projeto, projeto que esse que se chamaria Conquista Sangrenta.
O trabalho em Conquista Sangrenta foi difícil de ser realizado, algo que para um diretor inexperiente poderia se tornar o seu fim. Isto porque a produção acabou se tornando mais cara do que o previsto, com uma infindável série de regravações, o que gerou inclusive um descontentamento por parte do seu protagonista, Rutgher Hauer, que resultou num desentendimento com o seu até então amigo e principal colaborador.O roteiro é carregado de reviravoltas, algumas por sinal, poderiam até cansar o espectador, entretanto, o que salva é a personagem Agnes, a moça jurada em casamento para o filho do nobre, interpretada de forma surpreendente por Jennifer Jason Leigh, em um início de carreira fantástico(ela também estaria em A Morte Pede Carona). De início, a vemos como uma simples “dama em perigo” mas, no decorrer da trama, percebemos que ela é muito mais sagaz do que aparenta ser e se torna peça chave para o desenrolar da história.
O filme apresenta
certos entraves, principalmente no que diz respeito ao personagem vivido por
Tom Burlinson. O seu Steven, filho de Arnolfini e que se mostra também um
inventor, não é capaz de entregar a carga emocional suficiente para
acreditarmos na sua situação trágica (a de ter sua esposa raptada e violentada
pelo grupo de mercenários), contudo, não é capaz de estragar a obra como todo,
visto que, o trabalho tanto de Hauer como de Leigh se mostra superior.
Só a título de curiosidade, o
filme teve tantas intromissões por parte da produção e do próprio Rutger Hauer
(que não gostou do desfecho do seu personagem) que Verhoeven simplesmente
deixou as gravações seguirem em um tom de improviso além do comum, pouco
importando-se em seguir o roteiro. Fato é que, essa ação foi bastante conveniente,
até porque o filme narra as aventuras de um bando de mercenários na era
medieval e o jeito mais desregrado proposto pelo diretor foi até mais do que
bem vindo.
Todos os elementos do cinema de
Verhoeven estão aqui: o sexo, a violência, o cinismo e um viés crítico as
instituições, nesse caso ao que se refere à Igreja. Temas que seriam ainda
melhor trabalhados em suas obras posteriores. Evidentemente, muita coisa o diretor teve que
fazer cortes, e uma versão do diretor até que seria interessante de se ver mas,
de qualquer forma, não deixa de ser um acréscimo relevante na filmografia tanto
de Paul Verhoeven como para Rutger Hauer. Uma pena que a relação entre os
amigos tenha azedado ao ponto de decidirem nunca mais trabalharem juntos. Quantas
histórias poderíamos ainda ter visto desses dois, não é mesmo?.




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