O
cinema tem o poder transformador, escrevo isso pois sei que foi graças à essa
arte que descobri muitas das coisas que fizeram ser quem sou hoje, valores que
carrego comigo e que um dia, tentarei repassar à minha filha. Lembra daquela
frase: “ Somos resultados dos livros que lemos, das viagens que fazemos e das
pessoas que conhecemos”? Pois é, acrescentaria ai que também somos feitos dos
filmes que assistimos e das músicas que ouvimos. Sobre o cinema falarei um
pouco aqui, a música, entretanto, deixo para a próxima.
Com o passar dos anos, pude
perceber que o cinema se apresentava mais do que um mero entretenimento, havia
algo a mais e, ao tentar captar todas as referências, o encantamento só se
ampliava.
O que nos leva ao motivo do
título deste texto (deveras ousado, diga-se de passagem). O fato é que, como
professor e ainda iniciante pesquisador, tive a curiosidade em ver como o
cinema trabalha certos aspectos da metodologia científica. E isso não era um
mero questionamento que me ocorreu em uma bela manhã mas sim, estava meio que
desesperado em como atrair a atenção e a curiosidade dos meus alunos nas minhas
aulas. Obviamente, quanto mais me aventurava nessa busca, via cada vez mais a
raridade nas opções que abordavam esse tema. Também é algo totalmente
compreensível, a ciência trabalha com extremo rigor, uma análise cuidadosa dos
fatos e um trabalho incessante à procura de respostas para um infinidade de
problemas.
E tudo isso, convenhamos, não
costuma figurar nos roteiros cinematográficos, pelo menos não de forma
direta(isso é uma outra conversa também). Então, me ative a procurar certos
filmes que fugissem da obviedade. Será que consegui tal proeza? Bom, essa é uma
resposta que deixo para o leitor.
Para o bem ou para o mal,
vivemos em um tempo imediatista, onde muitas das nossas escolhas estão presas a
um algoritmo que, muitas vezes não consegue satisfazer a todos os nossos
anseios e aí recaímos nessa eterna procura, a procura por algo reconfortante e
na maioria das vezes, não nos damos conta de que caímos em um ouroboro.
A lista aqui é puramente
pessoal. Pode parecer lógico mas, é sempre bom enfatizar, não é verdade? Então,
se pra você falta algum titulo, sugiro que faça a sua própria e quem sabe, me
chame para uma sessão, porque cinema é algo, como toda arte, feito para
compartilhar.
PRIMER (2004)
O filme de 2004, escrito,
produzido e dirigido por Shane Carruth (esse cara tá sumido!) é um trabalho que
poderíamos chamar por aqui de “filme de guerrilha”. É uma obra densa, sem
floreios, sem nenhum tipo de maniqueísmo e sem sombra de dúvidas, nada fácil de
acompanhar. Entretanto, sempre procurei me desafiar e não me arrependi ao
encontrar aqui um filme que fala sobre viagem no tempo de uma forma totalmente
realista. Aqui não tem Delorean e muito menos um interesse amoroso pelo qual
vale acompanhar, nada disso. O filme acompanha um grupo de cientistas que está
prestes a fazer uma descoberta que poderá mudar os rumos da história. O porque
está na lista? Todos os aspectos do método e rigor científico estão aqui, temos
o problema (que inicialmente não tem nada a ver com viagem no tempo), o
levantamento de hipóteses e uma falha nos testes que muda tudo.
ÁGORA (ALEXANDRIA, 2009)
Me
encontrava reticente em recomendar uma cinebiografia (parecia um caminho mais
fácil) mas, a verdade é que a história da filósofa e matemática Hipatia, que
vive na Alexandria do ano de 391 d.C., dirigida pelo espanhol Alejandro
Amenábar (diretor que vale a pena procurar por aí) se utiliza do aspecto épico
para trabalhar temas que, infelizmente, ainda hoje são recorrentes. O porque
está na lista? É um filme que aborda a linha que separa a ciência da religião
e, não apenas isso mas, como a política entre nesse meio e é capaz de trazer
consequências catastróficas. É um trabalho belíssimo.
O CÉU DE OUTUBRO (1999)



Anotado.
ResponderExcluir